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  #1  
10th January 2009
TerezaVentura
Super Moderador
 
: Dec 2008
: 10
Thumbs up Livros Digitalizados no Google: boas notícias!

Recebi este artigo, seleccionado num Fórum sobre Bibliotecas Virtuais, pelo Prof. Murilo Cunha e dou-vo-lo a conhecer porque o considero de interesse para a nossa comunidade.

Google coloca na web tesouros da literatura
09/01/2009 |
Motoko Rich
Gazeta Mercantil


9 de Janeiro de 2009 - Ben Zimmer, produtor-executivo de um website e software de prateleira chamado Visual Thesaurus, procurava o mais antigo uso da frase "you're not the boss of me". Usando um banco de dados de jornal, ele encontrou uma referência de 1953.

Mas enquanto usava o site de busca de livros do Google recentemente, encontrou a frase num conto inserido em "The Church", um periódico publicado em 1883 e escaneado da Bodlein Library da Universidade de Oxford.

Desde que o Google começou a escanear, há quatro anos, livros impressos, os acadêmicos e outros com interesses especializados têm sido capazes de explorar um tesouro de informações estava confinado nas prateleiras de bibliotecas e nas livrarias de obras antigas.

Segundo Dan Clancy, diretor de engenharia do site de busca de livros do Google, todos os meses os usuários lêem nada menos que 10 páginas de mais da metade dos um milhão de livros usados que a empresa escaneou para dentro de seus servidores.

O site de busca de livros da Google "permite consultar obras que seriam muito difíceis de consultar de outro modo", disse Zimmer, cujo site é vusialthesaurus.com.

Direitos autorais

O acordo fechado em outubro com os autores e as editoras que moveram dois processos de direitos autorais contra o Google possibilitará aos usuários acesso a uma coleção muito maior de livros, incluindo vários ainda sob proteção de direito autoral.

O acordo, que depende de aprovação por um juiz, também abriu caminho para os dois lados obterem lucro com as versões digitais de livros. Não se sabe exatamente qual tipo de oportunidade comercial a parceria representa, mas poucos esperam que gere lucros expressivos para qualquer autor individual.
Mesmo o Google não espera necessariamente que o programa de livros contribua de modo significativo para seu resultado líquido.

"Não pensamos necessariamente na possibilidade de ganhar dinheiro", disse Sergey Brin, co-fundador do Google e seu presidente de tecnologia, numa breve entrevista concedida na sede da empresa. "Só sentimos que isso faz parte de nossa missão essencial. Há informações fantásticas nos livros".

A receita será gerada por meio da venda de publicidade nas páginas em que aparecem os resumos dos livros escaneados, por meio de assinaturas feitas pelas bibliotecas e outras para um banco de dados de todos os livros escaneados na coleção do Google. Outra alternativa é a venda de acesso aos consumidores dos livros protegidos por direito autoral. O Google vai ficar com 37% dessa receita, deixando 63% para as editoras e os autores.

O acordo pode dar vida nova para os livros esgotados e protegidos por direito autoral numa forma digital e permitir aos autores obter dinheiro com títulos que estão fora da circulação comercial há anos. Dos sete milhões de livros que o Google escaneou até agora, perto de cinco milhões se encontram nessa categoria.

Mesmo que o Google tivesse ido a julgamento e perdesse os processos, disse Alexander Macgillivray, conselheiro geral associado para produtos e propriedade intelectual da empresa, teria obtido o direito de mostrar só as resenhas dos conteúdos desses livros. "O que as pessoas querem fazer é ler o livro", disse Macgillivray.

Download gratuito

Os usuários já estão tirando vantagem dos livros esgotados que estão disponíveis para download gratuito. Clancy estava monitorando as consultas de pesquisa recentemente quando a expressão "moldes de fontes de concreto"
chamou sua atenção. A busca apresentou uma versão digital de um título obscuro de 1910, e o usuário passou quatro horas explorando as 350 páginas do livro.

Para os acadêmicos e outros que pesquisam tópicos que o verbete do Wikipedia não satisfaz, o acordo oferecerá acesso a milhões de livros pelo clique do mouse. "Mais estudantes de pequenas cidades da América poderão ter muito mais informações na ponta dos dedos", disse Michael A. Keller, bibliotecário de Universidade de Stanford. "Isso é realmente importante".

Quando o acordo foi anunciado, em outubro, todos os lados o saudaram como uma parceria histórica, pois deixa o Google prosseguir com seu projeto de escaneamento enquanto protege os direitos e os interesses financeiros de autores e editoras. Os dois lados concordaram em discutir se o escaneamento do livro por si mesmo violava os direitos autorais de autores e editoras.

Nos meses seguintes, todas as partes dos processos - assim como aquelas que serão afetadas, como a dos bibliotecários - tiveram oportunidade de examinar o documento de acordo de 303 páginas e tentar assimilar seus prováveis resultados.

Alguns bibliotecários expressaram reservadamente receios de que o Google possa cobrar altos preços pelas assinaturas do banco de dados quando o site amadurecer. Embora grupos sem fins lucrativos, como o Open Content Alliance, organizem suas próprias coleções digitais, nenhum outro concorrente importante do setor privado está envolvido nessa atividade. Em maio, a Microsoft encerrou seu projeto de escaneamento de livro, deixando efetivamente o Google como uma participante corporativa monopolista.

David Drummond, chefe do departamento legal do Google, disse que a empresa queria ampliar o banco de dados para cobrir o maior número de bibliotecas possível. "Se o preço for muito elevado", ele disse, "nós simplesmente não vamos ter bibliotecas que possam pagar o preço".

Para os leitores que quiserem comprar acesso digital a um livro escaneado específico, disse Clancy, a Google pode vender pelo menos metade dos livros por US$ 5,99 ou menos. Os estudantes e as universidades que têm a assinatura do banco de dados poderão ter gratuitamente os conteúdos integrais de todos os livros.

Para os autores em geral, "isso não representa uma mudança do jogo" num sentido econômico, disse Richard Sarnoff, diretor da Associação de Editoras Americanas e presidente do grupo de investimentos em mídia digital da Bertelsmann, a empresa controladora da Randon House, maior editora de livros do mundo.

"Eles serão pagos pelo uso de seus livros, mas creio que é uma fantasia imaginar que ganharão com isso o suficiente para viverem em alto estilo ", disse Sarnoff. Mas, ele acrescentou, "poucas centenas de dólares para um autor podem ser uma soma considerável para uma editora que detêm os direitos de 10 mil livros".

Até agora, as editoras que autorizaram o Google a oferecer versões digitais disponíveis para busca de seus novos livros receberam um baixo pagamento. A Macmillan, a empresa que controla editoras como a Farrar, Straus & Giroux e St. Martins Press e representa autores como Jonathan Franzen e Janet Evanovich, oferece 11 mil títulos para busca no Google. Em 2007, a Macmillan estimou que o Google ajudou a vender perto de 16.400 cópias.

Os autores vêem a possibilidade de os leitores encontrarem seus livros esgotados mais como uma vitória cultural do que financeira.

Alguns acadêmicos temem que os usuários do site do Google mais provavelmente buscarão informações específicas contidas nos livros em vez de lerem a obra toda. "Tenho a dizer que, em termos pedagógicos e de progresso do aprendizado, tenho a preocupação de que as pessoas serão incentivadas a usar os livros dessa forma fragmentária", disse Alice Prochaska, bibliotecária da Universidade de Yale.

Outros dizem acreditar que os leitores continuarão apreciando os textos longos e que o site de busca de livros vai simplesmente ajudar os leitores a encontrá-los.

"Não há atalho para apreciar Jane Austen, e espero estar certo quanto a isso", disse Paul Courant, bibliotecário da Universidade de Michigan. "Mas muitas das leituras serão feitas nas telas. Uma dos aspectos mais importante desse acordo é que ele traz de volta a literatura do século 20 de uma forma que os estudantes dos século 21 serão capazes de encontrá-la".

O site de busca de livros da Google já entrou na cultura popular, na versão cinematográfica de "Crepúsculo", baseado no romance de Stephenie Meyer sobre uma adolescente que se apaixona por um vampiro. Bella, uma das principais personagens, usa o site de busca da Google para encontrar informações sobre uma tribo indígena americana local. Quando a busca a leva para um livro, o que ela faz? Ela vai para uma livraria e o compra.

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 6)
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